Ontem, no auditório do Colégio Parthenon, aconteceu a exibição do documentário ESTAMIRA, do diretor Marcos Prado.
ESTAMIRA vivia dos "restos e descuidos" de uma sociedade perdulária e perversa, lançados cotidianamente no lixão do Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, na baixada fluminense.
Esta mulher, vítima de inúmeras violências ao longo de sua existência, arrancava do lixão não apenas o necessário para a manutenção da vida: ela arrancava do lixão a própria vida.
Estamira foi diagnósticada pelos médicos como portadora de distúrbio mental, mas recusava-se a tomar os medicamentos que eram receitados. Para uma mulher que foi vítima de violência doméstica aos 9 anos, prostituída pelo próprio avô aos 12, sofreu agressão e abandono de dois maridos, foi estuprada por duas veze e apedrejada, para não falar das agressões cotidianas que a vida em meio ao lixo impõe, não há remédio suficiente para dar conta de tanto sofrimento.
Em meio à sua loucura, Estamira deixo-nos, neste documentário, algumas reflexões bastante lúcidas, como:
“Eu sou a visão de cada um. Ninguém pode viver sem mim. A minha missão, além de eu ser Estamira, é revelar a verdade... Capturar a mentira e jogar na cara. Ensinar a eles o que eles não sabem.”
“Não tem mais inocente... Tem esperto ao contrário.”
“O espaço inteiro é abstrato. O que se vê lá em cima é só reflexo do que está aqui embaixo.”
“Que Deus é esse? Não é ele que é o próprio ‘trocadilo’? Ele e sua quadrilha...”
“A Terra falava, agora ela tá morta. A morte é dona de tudo”
“ Todos os homens têm que ser iguais, tem que ser comunistas... tem que ter ‘igualidade’.”
“Tudo o que é imaginário tem, existe, é.”
ESTMIRA morreu em julho deste ano, abandonada no corredor do hospital Miguel Couto, no Rio de Janeiro.
Ser nenhum deveria viver (e morrer) dessa forma.

0 comentários:
Postar um comentário